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Divagando uma forma de arte: Acácio Alves

Desde os tempos mais recuados do pensamento escrito, o homem vem procurando a expressão que defina a acepção específica do vocábulo Arte.

Mas a verdade é que todas as definições, das mais antigas às mais recentes, sempre deixam algo a desejar, ou um aspecto a incluir no sem âmbito, muito embora, por vezes, uma parte de tudo aquilo que deveria figurar na definição seja apresentada, por elas, com real felicidade.

Sumariamente, pode-se dizer que, para os antigos, desde os da mais remota antiguidade até à Renascença, passando pelo período áureo da Grécia, Arte foi imitação da Natureza em forma de Pintura, Escultura, Poesia e até mesmo Música, sem exclusão das imitações mais directas, como a representação teatral, a Dança e a Literatura de ordem meramente descritiva.

Modernamente, verifica-se que, nas obras de arte que restaram daqueles tempos, o artista pôs algo mais do que aquilo que ele apenas via na Natureza. Pôs também aquilo que ele sentia – que o emocionava – que o inspirava – ao contemplar a Natureza; algo que não se encontrava na Natureza em si mesma considerada, e sim na intimidade profunda da sensibilidade do artista. Mais modernamente ainda, e com base nos chamados que, a pouco a pouco, a Estética, como parte da Filosofia dedicada à Arte, foi realizando, chegou-se a uma distensão ao extremo dessa verificação.

Passou-se a admitir, então, que o artista pode prescindir da Natureza – afastar-se do que se denominariam formas naturais – tornar-se independente dos contornos sugeridos pela realidade objectiva, concebendo, por exemplo, uma árvore, ou um homem, ou uma casa, sem qualquer dos predicados que a árvore, ou o homem, ou a casa, acusam [quando materialmente existentes], ao espírito de quem os analisa sem pretender fazer arte

Obrigados e bem vindos.

Escultura Artesanato Acácio Alves

- Recolha de materiais - Idealização - Esculpidas a canivete
- Acabamentos e tratamentos manuais
- Dias e horas de carinho e dedicação
- Em cada peça e todas únicas

Esta página e exposição em links de algumas peças da única e vasta obra do artesão e escultor de peças em madeiras várias Acácio João Alves, tem como objectivo mostrar e promover esta forma de arte e seu alto valor e decorativo bem como a região de onde é natural o artesão e as matérias primas utilizadas. Montalegre.

*"Nado e criado na paisagem serrana, acantonado nas fraldas dos montes ou nas margens dos arroios tributários de rios já com direito a nome no mapa, o povo barro são habituou-se, na sua história longa, a uma relação com a Natureza caldeada na luta pela sobrevivência. Ainda hoje, em muitas aldeias, o calendário que regula o trabalho continua a ser marcado, nos limites, pelo cantar do galo e o baixar do crepúsculo.
O quotidiano áspero e rude endurece os corpos e, a contraponto, solta a imaginação em devaneios ditados pela necessidade material mas, também, por imperiosa vontade criativa, coisa do espírito, manifestada num artesanato abundante e rico. Das mãos do homem barrosão nascem, assim, autênticas preciosidades de arte popular, objectos que subsistem, povoando-os, entre usos e costumes seculares, mantidos na quase totalidade das aldeias.
Ditado pelo meio ambiente e pelo trabalho, o artesanato do Barroso é essencialmente agrícola. Dos jugos, arados, socos e cestos aos carros de bois, passando pelas capas de burel - abrigo indispensável nos rigores invernosos - e pelas croças de juncos usadas pelos pastores ou, ainda, pelos labores mais delicados das rendas e bordados em linho, o artesão utiliza a sua capacidade criadora como arma importante para a construção e defesa da sua sobrevivência.

Sinais do tempo, proliferam, na vila de Montalegre e numa ou outra aldeia, centros comerciais e lojas de pronto-a-vestir, mas permanece, arreigada, a tradição de fazer em casa muito do que se precisa para agasalho do corpo ou enfeite da casa. Ainda hoje se fazem croças e não são poucos os lares onde existe um tear, a trabalhar ou parado, com urdideira. Com paciência e carinho se vão tecendo lençóis, cobertores, colchas, aventais, capas de burel e mantas de trapos. Relíquias de outros viveres, nas casas se topam os utensílios do linho e da lã, numa sucessão de nomes - como tantos outros já referidos - de sugestão lírica, a roca, o fuso, a espadela, o rilo, as canelas, o caneleiro, o maço, a dobadoura ou a cesta da meia.

A crescente e progressivamente generalizada apetência, sobretudo dos citadinos, pelos objectos rurais levou à implantação e expansão de um artesanato mais elaborado, mais artístico, desenvolvido por pessoas que a ele se entregam como passatempo e, não raro, como actividade complementar ou, mesmo, exclusivo modo de vida. " *In Espigueiro